terça-feira, 30 de junho de 2015

Leite - Beber ou não beber?

A nutrição não é uma ciência precisa e intemporal. Está em constante mudança e, o que hoje se crê como certo, amanhã pode já não ser. 

Podemos constatar este facto com o leite, que há uns anos era a bebida de ouro e, hoje, não se tem a certeza sobre os benefícios do seu consumo.

Desta forma, resolvi recolher factos e expôs-los para que cada um possa optar pela melhor solução para si. É apenas uma opinião e cada um fica livre de tomar o seu caminho. 

Este é um artigo que saiu este mês na revista Amanhecer. Espero que gostem e que vos ajude!

Escrever sobre o leite, hoje em dia, é comprar uma guerra e ferir susceptibilidades, quer seja para quem defende, quer para quem é contra.
Hoje, não vou comprar uma guerra, mas analisar os factos e dar algumas  ferramentas para que o consumidor possa escolher qual caminho tomar: beber ou não leite de vaca. 
Apesar do leite estar enraizado na nossa cultura (eu bem sei a dificuldade que tenho em retirar a meia de leite do pequeno-almoço da maioria dos meus queridos pacientes), ele é relativamente recente na alimentação do humano. Começou a ser consumido há cerca de 10000 de anos, com a domesticação dos animais, após a revolução agrícola, explicando o facto de apenas 30% da população mundial ser tolerante à lactose.
A intolerância à lactose é a incapacidade que o corpo tem de digerir a lactose – açúcar do leite – por deficiência do enzima lactase, cuja função é quebrar as moléculas de lactose para serem absorvidas na corrente sanguínea. Caso não exista este enzima, a lactose não degradada passa para o cólon (intestino grosso), e as bactérias vão produzir hidrogénio e captar água para dentro do cólon. Assim, a quantidade acrescida de gás e água no intestino leva ao aparecimento de sintomas, tais como cólicas, diarreia, inchaço abdominal e flatulência.
É assustador pensar que, em média, apenas 30% da população tolera o leite. Mas este número é a nível mundial, sendo que 90% dos suecos tolera o leite e, em contrapartida, apenas 10% da população asiática tem esta capacidade. 
O que acontece é que, durante a infância, o corpo produz este enzima, pois o leite (neste caso materno) é a fonte única do lactente após o nascimento. Conforme a pessoa vai envelhecendo, o corpo diminui a capacidade de produzir lactase e, com o tempo, esse declínio pode levar a um quadro de intolerância ou não, uma vez que a maioria das pessoas com baixos níveis de lactase podem tolerar até 1 copo de leite, sem ter sintomas. 
No entanto, indivíduos que não possuam nenhuma patologia associada ao consumo de leite podem beneficiar de algumas características nutricionais do mesmo.  Temos o exemplo dos desportistas, em que o leite é a bebida de eleição pós treino, uma vez que é uma excelente fonte de proteína de alto valor biológico. É igualmente rico em vitaminas e minerais e é a fonte com maior biodisponibilidade de cálcio. A biodisponibilidade significa que existe um melhor aproveitamento pelo corpo; até podem existir outros alimentos com maiores quantidades deste mineral, mas este não é bem aproveitado pelo organismo.
Agora, cabe ao consumidor fazer a sua opção e, cabe aos profissionais de saúde aconselhar/informar da melhor forma possível, respeitando as vontades de cada um. 

Até já!